quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Incertezas




Eu fico completamente baratinado quando começam a me perguntar o que vai ser, o que vai acontecer com tal coisa. Sei lá, eu não sei onde é que eu vou estar amanhã. Eu sei o quê que eu tô fazendo hoje, agora, o resto não interessa.

(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vestibulandos


Eu, filho da crítica e do elogio tenho altos e baixos o tempo todo;
Eu, filho da dúvida e da certeza tenho medo e busco forças o tempo todo;
Eu, filho do lápis e da borracha traço e retraço minha vida o tempo todo;
Eu, filho do orgulho e da decepção sou feito de riso e choro o tempo todo;
Eu, filho da dor e do amor aprendo e desaprendo o tempo todo;
Eu, filho do sonho e da realidade acordo e sonho o tempo todo;
Eu, filho de antônimos sou paradoxal como meus pais o tempo todo;
Eu, filho de antíteses descubro que sou elas o tempo todo;
Eu, agora filho de um descobrimento, tenho uma certeza: Sou filho de mim mesmo;
Eu, filho de mim mesmo...
(Bernardo Magalhães) 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Amar os outros


Nasci para amar os outros,
 O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra.
Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].
(CLARICE LISPECTOR) 


superexige



“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.

Sim.”
(CLARICE LISPECTOR)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Eu


                                                                                                                                                                   


Eu sou a que no mundo anda perdida, 
Eu sou a que na vida não tem norte, 
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte 
Sou a crucificada... a dolorida... 
Sombra de névoa tênue e esvaecida, 
E que o destino amargo, triste e forte, 
Impele brutalmente para a morte! 
Alma de luto sempre incompreendida!... 
Sou aquela que passa e ninguém vê... 
Sou a que chamam triste sem o ser... 
Sou a que chora sem saber por quê... 
Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver, 
E que nunca na vida me encontrou! 

(Florbela Espanca )

sábado, 5 de fevereiro de 2011

FALO A LÍNGUA DOS LOUCOS


Quem é que nunca teve um Marcelo, um Felipe, um Ricardo, um Rafael, um Júlio ou um Tiago na vida? Tudo bem pode ser uma Raquel, uma Fernanda, uma Natália, uma Ana, uma Patrícia ou uma Aline...

Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa! Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter nenhuma, e ter apenas uma, é o mesmo que possuir 10 ao mesmo tempo!

A "fila" anda, a coleção de "figurinhas" cresce, a conta de telefone é sempre altíssima. Mas e ai? O que isso te acrescenta?

Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha: Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala não despenca logo na sua vida???

Se o tal "amor" é impontual e imprevisível que se dane!

Não adianta: as pessoas são impacientes! São e sempre vão ser! Tem gente que diz que não é... "Eu não sou ansioso, as coisas acontecem quando tem que acontecer".

Mentira! Por dentro todo ser humano é igual: impaciente, sonhador, iludido... Jura de pé junto que não, mas vive sempre em busca da famosa cara metade! Pode dar o nome que quiser: amor, alma gêmea, par perfeito, a outra metade da laranja... No fim dá tudo no mesmo.

Pode soar brega, cafona... Mas é a realidade. Inclusive o assunto "amor" é sempre cafonérrimo. Acredito que o status de cafona surgiu porque a grande maioria das pessoas nunca teve a oportunidade de viver um grande amor.

Poucas pessoas experimentaram nesta vida a sensação de sonhar acordada, de dormir do lado do telefone, de ter os olhos brilhando, de desfilar com aquele sorriso de borboleta azul estampado no rosto...

Não lembro se foi o "Wando" ou se foi o "Reginaldo Rossi" que disse em uma entrevista que se a Marisa Monte não tivesse optado pelo "Amor I love you" e que se o Caetano não tivesse dito "Tô me sentindo muito sozinho..." eles não venderiam mais nenhum disco. Não adianta, o público gosta e vibra com o brega". Não adianta tapar o sol com a peneira. Por mais que você não admita:

- Você ficou triste porque o Leonardo di Caprio morreu em Titanic "e ficou feliz porque a Julia Roberts e o
Richard Gere acabaram juntos em "Uma Linda Mulher".

- Existe pelo menos uma música sertaneja ou um "pagodinho" que te deixe com dor de cotovelo;

- Quando você está solteiro e vê um casal aos beijos e abraços no meio da rua você sente a maior inveja;

- Você já se pegou escrevendo o seu nome e o da pessoa pelo qual você está apaixonada no espelho embaçado do banheiro, ou num pedacinho de papel;

- Você já se viu cantando o mantra "Toca telefone toca" em alguma das sextas-feiras de sua vida, ou qualquer outro dia que seja;

- Você já enfiou os pés pelas mãos alguma vez na vida e se atirou de cabeça numa "relação" sem nem perceber que você mal conhecia a outra pessoa e que com este seu jeito de agir ela te acharia um tremendo louco;

- Você, assim como nos contos de fada, sonha em escutar um dia o tal "E foram felizes para sempre..." Bem, preciso continuar? Ok, acho que não...

Negue o quanto quiser, mas sei que já passou por isso, e se não passou, não sabe o quanto está perdendo...

"O problema de resistir a uma tentação é que você pode não ter uma segunda chance."

"Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos"
Luiz Fernando Veríssimo

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cântico



Ninguém venha me dar vida, 
que estou morrendo de amor, 
que estou feliz de morrer, 
que não tenho mal nem dor, 
que estou de sonho ferido, 
que não me quero curar, 
que estou deixando de ser, 
e não quero me encontrar, 
que estou dentro de um navio, 
que sei que vai naufragar, 
já não falo e ainda sorrio, 
porque está perto de mim 
o dono verde do mar 
que busquei desde o começo, 
e estava apenas no fim. 
Corações, por que chorais? 
Preparai meu arremesso 
para as algas e os corais. 
Fim ditoso, hora feliz: 
guardai meu amor sem preço, 
que só quis quem não me quis 

(Cecilia Meireles)